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Escrito por Bruno Moreira   
Domingo, 03 Agosto 2008 09:56

Adeganha

Há uma freguesia do concelho de Moncorvo, donde dista cerca de 18 Kms, e fica na margem direita do Rio Sabor, com o nome de Adeganha.

É uma freguesia composta pelas seguintes aldeias: Nozelos, Junqueira, Estebais, Póvoa e Adeganha.

Resulta de várias modificações administrativo-religiosas da nossa história, pois representa aquilo que inicialmente foi a paróquia de Santiago da Junqueira (o orago actual ainda é Santiago). A própria palavra Adeganha quererá dizer " terras do antigo reino de Portugal tomadas ao montes ou campos vizinhos para formar o termo municipal".

No séc. XIII a paróquia era em Junqueira e só bem mais tarde passou a ser em Adeganha.

Em 1201 D. Sancho I atribui uma 'Carta' a Junqueira, e depois, em 1225 D. Sancho II refere-se-lhe também em foral. Mas D. Dinis, a seguir, transfere-a para Moncorvo.

Mais tarde, junta-se-lhe Estevais, transferida de Alfândega, isto em 21/12/1853.

Anda, pois, ligada aos forais de Alfândega da Fé, de Santa Cruz da Vilariça e de Torre de Moncorvo.

Em 1517, a Igreja de Santiago da Adeganha é das que começa a pagar tributos por ordem do Papa, que tinha isentado alguns mosteiros.

Os vestígios que no seu termo se tem encontrado são variados e valiosíssimos, demonstrando a existência de povoamentos antigos. É o caso de machados de pedra e de cobre, moedas romanas, restos de cerâmicas, mós manuais, sepulturas abertas na rocha (em Estevais e na Junqueira).

Por volta de 1865 tinha já 224 fogos. E, apesar de ser uma zona de acessos difíceis para algumas aldeias, 'entaladas' entre vales e elevadas montanhas, as suas gentes nunca abandonaram a zona, e ali foram tirando o sustento de gerações, lá vivendo agora algumas centenas.

De cariz montanhoso, apanhando um pouco do Vale da Vilariça, os seus terrenos sao abundantes em amêndoa, azeite, algum cereal, frutas, vinho, e proporcionam bons pastos para cabras e ovelhas, bem como possui lugares ideais para o desenvolvimento de algumas espécies de caça.

Para uma visita demorada e agradável, sugere-se que não se esqueça: a Igreja Matriz de Adeganha, românica, que é monumento nacional, com uma só nave, figuras embutidas nas paredes exteriores e da data de 1112; as sepulturas na rocha referidas atrás; o Cume do Castelo Velho ou de Nossa Senhora do Castelo; o Alto da Madona; o miradouro dos Estevais para apreciar a beleza ímpar do Vale da Vilariça, das serras que o cercam e do Rio Sabor com a ponte respectiva, bem como a nova estrada que vai para o Pocinho, deixando a de Moncorvo, ali a seguir á ponte.

Os lugares de reunião habitual são os 'cafés-tabernas', as ruas mais movimentadas, destacando-se a Rua da Capela ou a da Lameira na Adeganha, junto à Capela de N. Senhora do Rosário também, ou as estradas que servem as povoações.

Já tem Casa do Povo, escola infantil e primária, e ainda conserva vários lagares de azeite, algumas quintas (Silveira, Zimbro, Terrincha), mas tem acima de tudo vontade de progredir, de se sentir mais próximas das vias nacionais e europeias.

É a Adeganha uma zona pouco divulgada, mas tem imensas potencialidades turísticas quase "virgens", diganas de serem registadas em filmes de qualidade.

Actualizado em Domingo, 03 Agosto 2008 10:05