| A Capital Mundial do Ferro |
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| Escrito por Bruno Moreira | ||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Domingo, 13 Julho 2008 18:06 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||
Localização: O seu território faz parte de uma área de montanha, destacando-se a Serra do Reboredo e os montes da Serra da Lousa e de vales, dos quais o mais importante é o Vale da Vilariça. O rio Sabor atravessa o concelho já na sua parte terminal, desaguando no Douro. O solo, acidentado, possui zonas de granito e zonas xistosas. Estas últimas são de grande importância para o vinho tratado. Uma grande área do concelho pertence à denominada Região Demarcada do Douro. Em termos agrícolas está também integrada na Zona Agrária do Douro Superior Norte. O clima desta zona é caracteristicamente continental, com invernos rigorosos e estios ardentes. Integrado na Região de Turismo do Nordeste Transmontano, este concelho é verdadeiramente deslumbrante nos meses de Fevereiro e Março com as suas amendoeiras em flor. Este concelho é composto por dezassete freguesias: Açoreira, Adeganha, Cabeça Boa, Cardanha, Carviçais, Castedo, Felgar, Felgueiras, Horta da Vilariça, Larinho, Lousa, Maçores, Mós, Peredo dos Castelhanos, Souto da Velha, Torre de Moncorvo e Urros. Origens.... Acerca da origem do topónimo do concelho as opiniões divergem. Segundo uns, Torre de Moncorvo deriva do nome próprio “Mendo”, proprietário de uma casa que possuía uma Torre, na qual terá domesticado um Corvo. Daí que se lhe referissem como “Torre de Mendo Corvo” que mais tarde viria a dar Torre de Moncorvo. Assim se explica a existência dos dois corvos no escudo da vila. Em relação a esta lenda há ainda quem refira que a dita Torre terá sido fundada ao pé do monte que naquela zona é curvo e se chamaria “Torre de Mons Curvens”, que originou Torre de Moncorvo. Na opinião de outros a Vila foi fundada no século XI por um capitão chamado “Mendo Corvo”, que terá construido uma fortaleza com uma Torre junto à Serra do Reboredo, e daí ter derivado o nome de “Torre de Mendo Corvo”. O povoamento deste concelho remonta a tempos muito antigos, como o comprovam os diversos vestígios e estações arqueológicas. Aqui se encontraram antas, sepulturas na rocha, castros, vestígios de ocupação romana no Vale da Vilariça e a estação arqueológica do Baldoeiro, a capital dos povos Banienses que ocupavam a região de Trás-os-Montes. No século XII, Santa Cruz da Vilariça prosperava a olhos vistos com o desenvolvimento da agricultura no Vale da Vilariça. D. Afonso Henriques concedeu foral a Mós e a Urros para ajudarem na defesa da linha fronteira do Douro. D. Sancho II, no século XIII, dá foral a Santa Cruz da Vilariça e o rei D. Afonso III concede foral a Mós e à Adeganha. A Vila de Moncorvo nasce em 1285, no reinado de D. Dinis, passando a sede de concelho de Santa Cruz para a encosta da serra do Reboredo. Devido à sua boa localização, o rei lavrador dota-a de castelo e muralhas e cria a primeira feira franca de Trás-os-Montes, com a duração de um mês. A partir desta altura Torre de Moncorvo passou a figurar como concelho, dando-se um despovoamento de Santa Cruz de Vilariça. Aos poucos o concelho de Torre de Moncorvo foi tomando os seus contornos actuais. No século XIX, os concelhos medievais de Mós e Urros são integrados no de Moncorvo. As aldeias de Castedo e Lousa deixam de pertencer ao concelho de Vilarinho da Castanheira. A zona planáltica da Cardanha deixa o concelho de Alfândega. Moncorvo foi crescendo, tornando-se na maior Comarca do reino, cujo termo ia até Chaves e Amarante, com 26 vilas e 182 freguesias. Avizinhavam-se tempos de riqueza com a Real cordoaria de Moncorvo a fabricar cordas e enxárcias para as armadas que íam ao Brasil e à Índia; ou as saboarias de Moncorvo que abasteciam todo o norte; ou ainda os negociantes de seda que abriu uma delegação permanente em Marselha para onde anualmente exportavam cerca de 20 toneladas daquele produto. Ainda há pouco tempo este concelho chegou a ser a capital mundial do ferro, encontrando-se no Cabeço da Mua a maior jazida de hematite do mundo. As gentes da terra não sabem qual será o destino de tal fortuna. Freguesias: O concelho de Torre de Moncorvo desfruta de situação geográfica privilegiada com um vasto e diversificado património natural, arqueológico e arquitectónico. Aconselha-se a qualquer visitante uma visita mais demorada a cada uma das simpáticas e acolhedoras freguesias:
Festividades: O concelho de Torre de Moncorvo é igualmente atractivo pelas suas numerosas festas tradicionais, tanto de cariz religioso, como de sentido profano. Entre outras, destacam-se as Festas da Páscoa com procissões da Semana Santa e a visita Pascal; a Festa de Natal com saltos à fogueira do Natal; os Reis; os magustos que se vão fazendo; as Festas da Vila e do Concelho em honra de Nossa Senhora da Assunção, cujo ponto alto é dia 15 de Agosto; a Festa de São Martinho de Maçores no dia 11 de Novembro; a Festa de São Lourenço em Agosto e a Festa de São Sebastião em Janeiro. Artesanato: No que diz respeito ao artesanato, algumas das freguesias conseguiram manter a tradição dos ofícios antigos. Ainda perduram os tapetes de lã em Urros, os cestos de vime em Carviçais, a olaria em barro de Felgar, as colchas de renda de Mós, os objectos de lareira em ferro e mantas de Castedo e os cereeiros de Felgueiras, que ainda fabricam a cera no seu lagar comunitário.
Gastronomia: O visitante não poderá partir sem deixar de saborear os sabores da cozinha regional. O cozido à transmontana é manjar de distinção. O cabrito assado é sempre gostoso. Depois há as sopas de bacalhau ou a posta grelhada, os bolos de carne e os folares da Páscoa e o queijo de ovelha. Tem ainda variedades de caça, como a perdiz, o coelho, a lebre e o javali e o peixe do rio. Como petisco ou a acompanhar as refeições temos as carnes de fumeiro: as alheiras, os salpicão, o chouriço de carne, o chouriço de mel e o presunto. O concelho de Torre de Moncorvo é conhecido em todo o país pelas chamadas “amêndoas cobertas de Moncorvo”. A tradição da sua confecção ainda se mantém viva. Há também outras especialidades como: os bolinhos de amêndoa, as delícias de amêndoa, as cavacas de Moncorvo, as rosquilhas, as súplicas e os económicos. A acompanhar pode saborear o vinho genuíno e açucarado, branco ou tinto, da região, e tomar a jeropiga ou a aguardente bem forte, após as refeições. Não deixe ainda de degustar o excelente vinho do Porto. O concelho de Torre de Moncorvo, com as suas regiões encantadoras, fica no coração de quem o visita. |
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| Actualizado em Domingo, 27 Julho 2008 20:52 |